Biologia reprodutiva do pombo-torcaz endémico dos Açores

Biologia reprodutiva do pombo-torcaz endémico dos Açores
Foi recentemente publicado na revista científica “Ardea” (http://ardea.nou.nu/), um artigo intitulado “The breeding biology of the endemic Azores Woodpigeon Columba palumbus azorica”*. Este trabalho é um dos resultados do projeto de investigação “‘AZORPI – Ecologia e Evolução do Pombo-torcaz: ferramentas para uma estratégia de gestão e conservação”, financiado pelo Fundo Regional de Ciência e Tecnologia, através do programa PROCONVERGENCIA, coparticipado pelo FEDER (EU).

Neste estudo é pela primeira vez caracterizado o ciclo reprodutor do pombo-torcaz no arquipélago, através de dados obtidos na ilha Terceira, entre 2012 e 2014. Os ninhos foram detectados em sete diferentes espécies de árvores, cinco das quais exóticas, e encontravam-se a alturas do solo que variaram de 2,5 a 12 m. Mais de 90% dos ninhos estudados encontravam-se em espécies exóticas, sobretudo incenso e metrosídero; apenas quatro dos 54 ninhos detectados foram observados em árvores nativas (dois ninhos em pau-branco e dois em louro). Assim, o pombo-torcaz dos Açores não parece depender da floresta nativa para a nidificação. As posturas decorreram entre final de fevereiro e final de setembro, atingindo o pico em maio e o tamanho médio da postura foi de 1,77 ± 0,06 ovos (máx.=2 ovos). A fenologia reprodutora e o tamanho da postura são semelhantes aos de outras populações europeias. Utilizando o método de Mayfield, o sucesso reprodutor foi estimado em cerca de 9%, um dos mais baixos detectados para esta espécie ao longo da sua área de nidificação (na Europa continental esse valor é normalmente superior a 20%). Predação por mamíferos introduzidos e eventos climatéricos extremos poderão ser as principais causas para o baixo sucesso reprodutor.

Ver artigo: https://bioone.org/…/The-Breed…/10.5253/arde.v107i1.a4.short