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Publicado a 20 Oct, 2026

Dar visibilidade ao oceano profundo: testar novas tecnologias de câmara e sonar nos Açores!

Como podemos observar o que acontece centenas de metros abaixo da superfície do oceano, numa zona onde a vida marinha permanece, em grande parte, por explorar?
Entre 24 e 28 de agosto de 2026, Guilhem Carriou, doutorando na área da utilização de dispositivos de registo de dados em predadores marinhos (biologging), no Centre d’Études Biologiques de Chizé (CEBC, CNRS), juntou-se à equipa de telemetria de grandes predadores marinhos do OKEANOS-UAc para testar um protótipo de câmara de águas profundas, em conjunto com um módulo de microsonar.

Em colaboração com Jorge Fontes e Bruno Macena, a equipa avaliou o desempenho da câmara em condições de baixa luminosidade, desde águas portuárias pouco profundas e turvas, durante a noite, até águas oceânicas mais límpidas, a profundidades de 400 metros. Ao longo de oito testes, foram recolhidas mais de 5500 imagens subaquáticas de alta definição, permitindo avaliar a tecnologia antes da integração dos sistemas de câmara e microsonar.

Porque é importante?

Entre os 200 e os 1000 metros de profundidade encontra-se a zona mesopelágica, também conhecida como zona crepuscular do oceano. Este vasto ecossistema alberga enormes quantidades de peixes e invertebrados, desempenha um papel fundamental no ciclo global do carbono e constitui uma importante fonte de alimento para predadores que mergulham a grandes profundidades, como tubarões e raias-diabo.

No entanto, compreender os processos que ocorrem neste ecossistema continua a ser um grande desafio científico. Ao equipar predadores marinhos com sensores inovadores, os investigadores procuram utilizar estes animais como verdadeiros oceanógrafos, recolhendo informação detalhada sobre o ambiente que os rodeia e as presas que encontram.

Estes desenvolvimentos tecnológicos integram os esforços de colaboração para aperfeiçoar sistemas de câmaras e microsonar transportados por animais, no âmbito dos projetos ECHOTAG’S (ACORES2030-FEDER-01912200), MANTA (FCT 2025.00378.AZO) e INNOVATE (SOSF 683), liderados por Jorge Fontes, do Instituto de Investigação em Ciências do Mar – OKEANOS, em parceria com a Azores Robotics, liderada por Nuno Simões. O trabalho está também relacionado com o projeto francês SOTroC, financiado pela ANR e coordenado por Christophe Guinet, do Centre d’Études Biologiques de Chizé (CEBC).

Em conjunto, estes projetos procuram aprofundar o conhecimento sobre a dependência de tubarões e raias que mergulham a grandes profundidades relativamente às presas da zona mesopelágica, bem como compreender de que forma o aquecimento do oceano e a eventual exploração de biomassa em larga escala poderão afetar as redes alimentares marinhas e o papel do oceano na regulação do clima.

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Tecnologia Marinha
Atualizado por

Raquel Coimbra

Última atualização

20 Oct, 2026 16:18:12

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Financiado por fundos nacionais através da FCT - Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito dos projetos UID/05634/2025 (DOI: 10.54499/UID/05634/2025), UID/PRR/05634/2025 (DOI: 10.54499/UID/PRR/05634/2025) e UID/PRR2/05634/2025 (DOI: 10.54499/UID/PRR2/05634/2025).

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